sexta-feira, 4 de abril de 2008

INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO


Na era da informação e da comunicação, onde cada vez mais o acesso às informações amplia-se à uma velocidade assustadora, onde a informação não é mais privilégio das instituições educacionais e sim propriedade da humanidade, precisamos pensar sobre o que fazer com tantas informações.
O desafio que se apresenta é o de encontrarmos caminhos para orientarmos os alunos a saberem como usá-las e principalmente, como aliá-las às suas necessidades reais, fazendo delas uma fonte de conhecimentos que possam ser usados de forma autônoma e responsável.
Desta forma, há que se pensar constantemente na finalidade, na relevância e na utilização que fazemos das tecnologias nas escolas. A que temos dado maior atenção: à informação ou à formação?
Informações temos bastante, das mais variadas formas e através de diferentes veículos de comunicação. Mas o que fará a diferença será o tratamento que o professor dará a essas informações, a maneira pela qual auxiliará seus alunos na busca de mecanismos e no desenvolvimento de habilidades para transformar essas informações em conhecimento.
Quando o professor tem acesso à tecnologia para as suas aulas, as possibilidades de incentivar os alunos a explorarem sua capacidade de aprender, de cooperar, de serem criativos diante de novas situações são ampliadas. As aulas , se bem planejadas, podem ser instigantes e desafiadoras, porém, se faz necessário que, como qualquer outra ferramenta de trabalho, seja preciso antes conhecer, saber usar , para então estabelecer-se uma metodologia de utilização dessa ferramenta vinculada às necessidades reais de aprendizagem.
É preciso que os educadores em seus ambientes de apredizagem organizem suas aulas com objetivos claros para utilização da Informática. Não adianta ter computador na escola, conectado à Internet se os alunos ou o professor acessarem para clicar e apertar botões. É preciso ter metodologia, senão a aula continuará sendo a mesma do livro didático que muda a página a cada clique quando você expõe uma apresentação multimídia. É preciso desenvolver no ambiente escolar uma "cultura de uso das tecnologias". É preciso haver planejamento e organização do uso desses recursos, é preciso que haja rompimento de barreiras, como o medo, o descompromisso, a desatualização, a resistência ao novo e o individualismo.
Com a Informática na escola, tanto alunos como professores podem ser autores de suas produções se souberem transformar a informação recebida em conhecimento. Qualquer proposta de transformação deve incorporar as novas tecnologias da comunicação e informação de modo a contribuir na melhoria da qualidade dos processos de ensino-aprendizagem. Tal atitude necessita de mudanças e transformações no processo de aprendizagem e prática docente. Transformar informação em conhecimento é certamente um dos maiores desafios profissionais dos tempos atuais. É necessário senso crítico apurado para que se possa identificar quais informações devem ser transformadas em conhecimento real e quais devemos “descartar”. Na era da tecnologia, o importante não é somente ter acesso à informação, mas conseguir transformá-la em conhecimento.
Muitas vezes, a informação e o conhecimento são vistos e tratados como sinônimos, mas são conceitos distintos. Reconhecer esta diferença, bem como a relação que existe entre elas, é fundametal para a prática do professor e a aprendizagem do aluno. Na sala de aula, o professor tem a intenção de transmitir conhecimento, mas conhecimento não se transmite. O professor certamente tem o conhecimento, mas aquilo que ele transmite para o aluno é informação, que pode adquirir significado para o aluno e ser por ele transformada em conhecimento. A informação, tanto a transmitida pelo professor como a encontrada na Internet ou, ainda, em outros meios, pode ter uma organização pedagógica intencional, mas isto não garante que o aluno construa seu conhecimento.
A informação precisa ser interpretada pelo aluno. Este processo de interpretar, ou seja, de dar sentido à informação requer ações do conhecimento. Transformar a informação em conhecimento não é algo que acontece de forma espontânea. É preciso que as informações sejam trabalhadas conjuntamente em várias situações de aprendizagem, de modo que o aluno possa estabelecer relações, comparar, diferenciar, experimentar, analisar, atribuir significado e sistematizar os conceitos envolvidos num processo contínuo de (re)construção do conhecimento.
Atividades que privilegiam a autoria do aluno e o processo de (re)elaboração de algo que lhe seja significativo possibilitam que este aluno possa interpretar as informações, articulando-as com seu universo de representação do conhecimento.
Logo, o atual paradigma de competência repousa em uma ação do profesor de forma criativa, contextualizada, adequada à realidade e respaldada no conhecimento científico.
Aprender a lidar com o desconhecido, com o conflito, com o inusitado, com o erro, com a dificuldade, ser seletivo e buscar na pesquisa as alternativas para resolver os problemas que surgem são tarefas que devem fazer parte do dia-a-dia da sala de aula, criando condições para que a informação transforme-se em conheciimento.
A escola, no cumprimento da sua função social, debe desenvolver nos alunos, competências e habilidades a fim de prepará-los para agir conforme as exigências da contemporaneidade.
Como é impossível distanciar-nos desta realidade, todos os profissionais da educação devem perceber a necessidade de refletir sobre suas ações pedagógicas no que diz respeito a conhecer e reconhecer a importância do sujeito da aprendizagem e entender o que e como pode facilitar ou impedir que ele aprenda.
Para se chegar a essa realidade não basta investir pesadamente na compra de equipamentos. É necessário mudar a mentalidade dos usuários. É necessário iniciar entre os professores um intenso esforço de "desaprendizagem", ou seja, a sua libertação de metodologias que a tecnologia já ultrapassou.

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito interessante a maneira com que foi abordado o conteúdo.